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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Adaptações em casa ajudam a garantir velhice saudável

Carina Martins, iG São Paulo
O segredo da juventude eterna não é fingir que a velhice nunca chega. Chega para nós, para nossos familiares e para quem mais tiver sorte. Fazer vista cansada para a última e cada vez mais longa fase da vida pode fazer com que ela não seja aproveitada em sua plenitude. Da mesma forma que a desinformação e a falta de cuidado atrapalham na infância, adolescência e vida adulta, também podem prejudicar os idosos. Mas muitas vezes a simples aceitação da necessidade de adaptações cotidianas pode ser dolorosa para toda a família. “Ajuda precisamos todos, sempre, em qualquer fase da vida. Então, não é uma coisa estranha que alguém precise de alguma colaboração em alguma coisa”, lembra a psicanalista Délia Goldfarb, diretora da organização Ger-Ações. Não é estranho, mas reconhecer e aceitar as novas necessidades costuma ser difícil.
Perceber que adaptações simples, como ver que o tapetinho da sala pode estar se tornando uma ameaça à segurança de um familiar – ou à sua própria – é um processo doloroso, que mexe com a dinâmica dos relacionamentos. Mas é o primeiro e importante passo para realizar adaptações para evitar acidentes e promover qualidade de vida. A mortalidade de idosos com 60 anos ou mais por quedas, no Estado de São Paulo, aumentou quatro vezes nesta década, segundo balanço da Secretaria de Estado da Saúde. O índice passou de 7,6 óbitos por 100 mil idosos em 2000, para 28,4 mil em 2008. As quedas, por definição, são causas evitáveis. E a maior parte delas acontece em casa.
Mesmo as quedas mais leves podem ter consequências. “Quem cai fica com medo e vergonha de cair de novo. Isso leva a um círculo vicioso, porque a pessoa começa a se restringir em termos de atividades. A inatividade gera imobilidade, que por sua vez diminui a força, a massa e o tônus, e aí, vai cair de novo”, diz Sérgio Paschoal, coordenador do programa de prevenção de quedas do Hospital das Clínicas, em São Paulo. “Aí a família superprotege, começa a só deixar sair acompanhado. Além de tudo leva a isolamento social, depressão e até institucionalização”.
Banheiro

Banheiro adaptado na Vila Dignidade, em Avaré
“O banheiro é um local em que se cai muito. As pessoas molham o piso e vira um verdadeiro sabão. Às vezes não tem como trocar o piso, mas há alguns tapetes de borracha que grudam no chão – não pode ser qualquer um, porque se for um que escorregue é pior", explica Sérgio Paschoal, coordenador do Programa de Prevenção de Queda. "Mesmo se o piso for antiderrapante, você tem que ter barras de apoio sólidas. No mínimo, a velocidade e a energia da queda serão menores”, completa. Segundo ele, as barras são importantes também para evitar que as pessoas usem alternativas de apoio, como a torneira, que podem agravar a queda. “Existem adaptações muito legais, que são cadeiras pregadas na parede, cujo assento é dobrável para a parede. A pessoa desdobra, senta e toma banho mais tranqüilo”, diz.

Ainda no banheiro, é fundamental que o vaso sanitário seja elevado e tenha barras laterais ou apoio para os braços. “Se a pessoa não tiver força no quadríceps, ela desaba, pode até quebrar o vaso e se machucar mais ainda”, diz Sérgio. As antigas adaptações de alvenaria para elevar o vaso sanitário causavam má-impressão e era evitadas em muitos casos em que eram necessárias. Hoje, é possível encontrar assentos removíveis em casas de materiais cirúrgicos: causam menos impacto visual e permitem que o banheiro seja usado também por quem dispensa a adaptação. Mesmo que haja uma resistência inicial a essas adaptações, o coordenador do Programa de Prevenção de Quedas explica que, em sua experiência, elas acabam sendo aprovadas pelos idosos, porque permitem que eles dispensem ajuda.
Corredor
Um dos lugares mais perigosos de uma casa, segundo Sérgio Paschoal, é o caminho do quarto para o banheiro. E isso tem muito a ver com a iluminação. Ao mesmo tempo em que é melhor evitar superfícies e lâmpadas muito brilhantes porque os olhos já não se adaptam com tanta rapidez à claridade, é fundamental que exista uma iluminação acessível. “Tem que ter iluminação fácil. Ou se deixa uma luz permanentemente acesa ou algo que não é preciso procurar muito, como os abajures que acendem com um toque. Não adianta ter uma luminária em que é preciso procurar o interruptor. Esse problema de sair do escuro para o claro é muito sério”, explica.
Uma regra que vale para a casa toda é especialmente importante neste trajeto: o caminho tem que estar sempre completamente livre. “O tapetinho é o grande vilão. Mas também tacos soltos, carpetes com sobras e dobras, fio de telefone, brinquedos, móveis baixos e com pontas, animais de estimação pequenos, tudo isso é um prato cheio para quem tem um andar mais arrastado sofrer um acidente.”
Escada


Foto: Tricia Vieira / Fotoarena
As casas adaptadas da Vila Dignidade são térreas e com espaços amplos e sem obstáculos
As escadas completam o trio crítico de áreas da casa no que diz respeito a quedas. O pior tipo é a escada tradicional de sobrado, com janela no topo e iluminação frontal. “A luz bate de frente e quem olha para baixo não vê o degrau”, explica Sérgio. O ideal é que os carpetes sejam evitados. Se houver, devem ser sem estampas – que enganam o olhar – e perfeitamente lisos e esticados. Além disso, é bom que exista uma sinalização de cor contrastante na ponta do degrau. O corrimão deve ser firme, ficar dos dois lados, começar antes da escada e terminar um pouco depois. A altura do degrau também não pode variar. “Não pode ter altura de degrau variada. Seu corpo se acostuma com aquela altura e não precisa nem ser idoso para tropeçar.”
O melhor ponto de partida é diferenciar autonomia e independência. Depender de apoio para realizar atividades diárias, como fazer a própria higiene e se vestir tira um pouco da independência, mas não nos tira a autonomia de decidir sobre a própria vida. Falta de autonomia é quando já não se pode decidir sobre coisas essenciais de sua vida. À medida que o tempo passa, vamos perdendo primeiro essa independência relativa, e depois a autonomia. Não conseguir fazer as atividades da vida diária não significa que a pessoa está doente, significa uma fragilidade.
Chegando lá
A parte prática das adaptações pode ser muito mais simples do que a conversa familiar necessária para chegar lá. “À medida que o tempo passar, você vai precisando de mais recursos para fazer as coisas com segurança. A questão é se você tem ou não consciência desses recursos. Se a pessoa é consciente e com bom senso, vai construindo essas adaptações. E se existe um bom diálogo familiar, vai construindo essas adaptações com a família”, explica Délia. “Agora, se é uma família altamente conflitiva – porque um pouco todas são –, onde nunca houve diálogo sobre as necessidades de qualquer um de seus membros, e as necessidades não foram respeitadas, aí o diálogo vai ser mais difícil e o processo de criar adaptações também.”
Se a conversa em casa estiver muito complicada, a saída é procurar a ajuda de profissionais. “Se a família sozinha não consegue produzir essa mudança ou a produz com um custo emocional alto demais, se alguém está sofrendo muito por isso, existem profissionais que orientam, que ajudam, que apóiam. Hoje em dia na gerontologia tem muitos profissionais que se dedicam exatamente a essas intervenções familiares de acompanhar essa mudança, que vão construindo caminhos para esse diálogo que falta”, orienta Délia.

Profª. Dulci Michels
Assistente Social/Enfermeira
Espc. Sexualidade/Saúde Pública/PSF
Faculdade da Amazonia/Rondônia

Preparando a casa para a chegada da terceira idade.

Segundo os especialistas em prevenção de quedas, o banheiro é o lugar mais propenso à queda de idosos, pois se trata de um local onde o piso está sempre molhado.

29/12/2010 - por Portal na categoria 'Acessibilidade'
Os idosos representam 11% da população brasileira e serão 22%, o dobro, em apenas 15 anos, em 2025. Copacabana já é, hoje, um retrato do que o Brasil será ainda mais adiante: um em cada três moradores é idoso. Não é a toa que o bairro até serviu de base para um estudo de alcance mundial nessa área. Se você tem um parente idoso ou já está a caminho da terceira idade é preciso pensar a longo prazo: serão necessárias adaptações no lar para garantir mais conforto e segurança, nesta etapa da vida, pois as quedas de idosos já estão sendo classificadas pelo Ministério da Saúde como epidemia.
Os principais motivos de quedas são as condições físicas e motoras do idoso, que podem ser prejudicadas pela influência de medicamentos, tonturas, problemas oftalmológicos, fraqueza muscular ou de audição. Além do estado de saúde do idoso, as quedas também estão relacionadas a causas externas. As mais comuns são os obstáculos, que podem estar em casa, ou fora dela, como raízes de árvores, degraus ou calçadas esburacadas.
De uma maneira geral, tudo o que está ligado à automação residencial facilita a vida de um idoso. “Centrais controladoras de iluminação e equipamentos elétricos que podem ser programadas por eventos ou por horário, e que, numa situação de pânico, podem se transformar em alarme. Podemos utilizar leitores biométricos em várias aplicações, pois identificam o usuário e acionam utilitários, sem a necessidade de manuseio de equipamentos”, diz a arquiteta Ana Paula Naffah Perez, diretora de projetos da C+A Arquitetura e Interiores.
Cortinas e venezianas elétricas acionadas através de um botão, irrigação automática de jardins e plantas, controle da temperatura do ambiente por controle remoto e pisos antiderrapantes também são algumas das facilidades que minimizam os esforços físicos, na terceira idade. A arquitetura de uma casa com automação adaptada às necessidades da terceira idade deve estar de acordo com as tecnologias que serão utilizadas no projeto. “Por exemplo, para que a temperatura interna seja sempre estável, o uso da tecnologia de condicionamento de ar deve ser econômico e racional, mas a arquitetura deve ter sido pensada para isso também”, destaca Ana Paula Naffah Perez.
Adaptando a casa
Para serem feitas as adaptações na residência do idoso, ele deve ter conhecimento disso e aceitar as mudanças. Se houver algum tipo de resistência por parte dele, por causa dessas alterações em sua casa, uma conversa com os parentes pode ajudar a resolver o problema. “No entanto, se houver conflitos familiares, o procedimento fica mais difícil, sendo necessário, algumas vezes, a ajuda de profissionais especializados, que possam orientá-los na tomada de decisões importantes e preventivas para manutenção da saúde corporal do idoso”, diz Perez.
Segundo os especialistas em prevenção de quedas, o banheiro é o lugar mais propenso à queda de idosos, pois se trata de um local onde o piso está sempre molhado. “Há a possibilidade de utilizar um piso antiderrapante. Para quem não tem condições de trocar o piso, outra solução possível é um tapete de borracha que gruda no chão, próprio para evitar acidentes e alguns materiais que estão disponíveis no mercado que criam uma aderência a pisos derrapantes”, explica a arquiteta Ana Carolina M. Tabach, diretora de projetos da C+A Arquitetura e Interiores.


Outro equipamento necessário na adaptação do banheiro são as barras de apoio, que evitam que os idosos utilizem outros meios de apoio, como torneiras, por exemplo. “Outra adaptação importante é a cadeira fixa dentro do box, com assento dobrável. Quando a pessoa deseja tomar banho é só desdobrá-la, sentar-se e banhar-se tranquilamente”, observa Ana Carolina Tabach. Quanto ao vaso sanitário, ele deve ser elevado com barras laterais de apoio para os braços. É possível encontrar em algumas lojas especializadas assentos removíveis, que permitem a utilização do banheiro por outros membros da família.
Os corredores das residências também são locais propícios a quedas. “Por isso, este local deve contar com uma iluminação adequada, principalmente à noite. É possível instalar sensores de presença, para que a luz se acenda automaticamente. Se não houver a possibilidade da instalação de sensores, a luz pode ficar permanentemente acessa, durante a noite”, conta Tabach.
Outra medida preventiva contra tropeços é deixar desimpedida a área de circulação do idoso. O caminho deve estar livre de tapetes com dobras, brinquedos e fios de telefones. As escadas também merecem atenção especial, pois podem causar vários acidentes. “O tipo mais inadequado de escada é o que geralmente encontramos nos sobrados, com uma janela no topo e iluminação frontal. A luminosidade faz com que o idoso não consiga enxergar os degraus e caia. É importante também colocar uma sinalização nas pontas dos degraus e nunca deixar tapetes soltos. O corrimão deve ser firme, dos dois lados. Os degraus não podem ter altura variada, pois podem provocar tropeços e quedas”, alerta a diretora de projetos da C+A Arquitetura e Interiores.
No quarto de dormir do idoso, é possível instalar interruptores próximos da cama, para que o idoso não precise se levantar no escuro. “Em geral, as camas devem ser baixas (45 a 50 cm, incluindo o colchão) de forma que, ao levantar, os pés do idoso toquem o chão. Além disso, devem ser largas para dar maior segurança ao movimento dos idosos ao dormir”, ensina Ana Carolina Tabach.
O chão do quarto deve ser em piso antiderrapante, sem tapetes ou objetos soltos. Colocar uma cadeira no quarto pode facilitar o idoso a calçar meias e sapatos. As mesas de cabeceira devem ter cerca de uns 10 cm a mais de altura do que a cama, devem ter, preferencialmente, bordas arredondadas e devem ser fixas, evitando seu deslocamento. “Os armários devem ser projetados com portas leves e cabideiros baixos. As gavetas devem contar com travas de segurança e as prateleiras podem contar com luz interna ao abrir a porta, para facilitar a localização dos objetos”, explica Tabach.

Para mais informações: www.caarquitetura.com.br



Profª. Dulci Michels
Assistente Social/Enfermeira
Espc. Sexualidade/Saúde Pública/PSF
Faculdade da Amazonia/Rondônia

Presidência Convoca para III Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa.

Decreto Presidencial convocando a Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa - CNDI para os dias 23 a 25 de novembro de 2011:
 
   
 
Enviado por
 
Profª. Dulci Michels
Assistente Social/Enfermeira
Espc. Sexualidade/Saúde Pública/PSF
Faculdade da Amazônia/ Rondônia